Sereia de Ouro


Atalhos


Últimas Notícias


Cinema para o mundo, com raízes no Ceará

karimO cineasta Karim Aïnouz é um dos agraciados com o Troféu Sereia de Ouro. A escritora Angela Maria Rossas Mota de Gutiérrez, o médico Anastácio de Queiroz Sousa e o desembargador Teodoro Silva Santos também recebem a comenda, amanhã, no Theatro José de Alencar

Karim Aïnouz é que se costuma chamar de cidadão do mundo. Cineasta e artista visual, nasceu em Fortaleza e tem dupla cidadania – brasileira e francesa. Divide-se entre a Alemanha e o Brasil e, atualmente, trabalha em dois projetos, um em cada país. Em Berlim, Aïnouz filma um documentário sobre os quatro aeroportos da metrópole; cruzando o Atlântico, prepara um projeto sobre uma jornada noturna por cinco cidades do Ceará. Apesar das andanças, ele afirma: “A minha casa é sempre Fortaleza”.

Filho de uma bióloga cearense e de um engenheiro argelino, Karim enveredou para um campo profissional em que a sua criatividade tivesse espaço. Deixou Fortaleza aos 16 anos. Recebeu o apoio da família para se fixar no Distrito Federal, onde cursaria Arquitetura pela Universidade de Brasília (UnB). Na juventude, o interesse pelas artes e pelo cinema aflorou e o direcionou. Passou uma temporada com o pai, na França, e de lá se mudou para os Estados Unidos, onde cursou o mestrado em Studio Art pela New York University.

Quanto ao cinema, a ideia de Karim era estudar os fundamentos da crítica. Ao imergir na teoria, despertou para a prática. “Deu vontade de botar a mão na massa. A maneira de entrar no cinema foi fazendo estágios com diretores, para saber o que era aquela
manufatura, aquela prática”.

O cinema, diz Karim, o foi conquistando aos poucos. O cineasta que saiu, dali, contudo, logo conquistou seu espaço e é, hoje, um dos realizadores mais respeitados do País, elogiado pela crítica e autor de obras importantes para a história recente da sétima arte no Brasil.

Cinematografia
Karin Aïnouz estreou com cineasta dirigindo curtas-metragens. Antes de enveredar pelos filmes de longa-metragem, gravou dois curtas no Ceará. Protagonizado pelo ator baiano Lázaro Ramos, “Madame Satã” (2002) projetou nacionalmente o nome do diretor estreante. O filme contava a história de uma personagem icônico da boemia carioca. Esse primeiro longa-metragem foi lançado na prestigiada mostra “Un certain regard”, do Festival de Cinema de Cannes.

“Depois que fiz o primeiro, fiquei com muita vontade de voltar a filmar no Ceará”, conta. O longa seguinte, “O Céu de Suely”, foi filmado em Iguatu e repetiu o sucesso de crítica. Cativou o público local, em especial, por fazer um registro de detalhes do cotidiano, dos hábitos e das estéticas das cidades do Interior do Estado. Na sequência, filmou “Viajo porque preciso, volto porque te amo” (codirigido com Marcelo Gomes); Os dois filmes estrearam no Festival de Veneza na Mostra Orizzonti em 2006 e 2009, respectivamente.

Em 2011, foi a vez de “O abismo prateado” que teve sua estreia mundial em Cannes, na Quinzena dos Realizadores, e recebeu o prêmio de melhor diretor no Festival do Rio. O drama era baseado em uma canção de Chico Buarque e mostrava o diretor experimentando novas estéticas. A convite da Sharjah Art Foundation, realizou o filme ”Sonnenallee”, exibido na Bienal de Sharjah em 2011. Seu mais recente longa-metragem é ”Praia do Futuro”, filmado parte em Fortaleza, parte em Berlim, tendo o ator Wagner Moura no papel central.

Versatilidade
O trabalho de Karim Aïnouz com o cinema vai além da direção. Habituado a escrever as histórias de seus filmes, o cineasta atuou como corroteirista de filmes que ganharam destaque, em premiações e festivais, no Brasil e fora dele. Têm a mão de Karim os roteiros de “Abril despedaçado”, de Walter Salles; “Cinema, aspirinas e urubus”, de Marcelo Gomes, e “Cidade Baixa”, de Sérgio Machado. Participou de programas como consultor de roteiros, entre eles, Sundance Screewriters Lab em Utah, nos Estados Unidos; Screewriting Workshop’ promovido pela The Arab Fund for Arts & Culture, em Beirute, no Líbano, e curso
de Desarollo de Proyectos Cinematográficos Ibero-americanos.

Em 2012, o diretor participou de “Destricted.Br”, inspirado no projeto “Destricted de Larry Clark”, e integrou o júri da Cinéfondation e competição de curtas-metragens do 65º Festival de Cannes, em 2014 e foi presidente do júri do Festival do Rio. Seu último trabalho de documentário experimental foi “Domingo”, filmado no encontro com o artista dinamarquês Olafur Eliasson no 17º Festival Videobrasil, e que teve estreia mundial no Festival do Rio 2014. No campo da formação, Karim Aïnouz atua como tutor do Laboratório de Cinema, da escola criativa Porto Iracema das Artes, do Governo do Estado.

Como artista visual, teve trabalhos expostos em inúmeras mostras e museus, incluindo o Whitney Museum of American Art Biennial, MoMa de Nova York, Bienal de São Paulo, Bienal de Sharjah, Parque Lage, Museu de Arte Contemporânea de Fortaleza e Festival Videobrasil.

A comenda
Para Karim Aïnouz, receber o Troféu Sereia de Ouro é um incentivo para ter ainda mais vigor em sua produção artística. “O importantes desses afagos da vida, e a Sereia de Ouro também é isso, é que eles te dizem: continue, não pare. É uma profissão que você experimenta o tempo inteiro a dúvida: será que vale a pena eu estar fazendo isso? Será que os filmes são vistos? Será que eles têm o impacto que gostaria que eles tivessem e, de alguma forma, mudar o mundo?”, indaga o cineasta.



TV Verdes Mares
Sistema Verdes Mares
Praça da Imprensa S/N
Fortaleza, Ceará, 600000 Brasil