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Por uma prática mais humana da medicina

anastacio-finalO médico Anastácio de Queiroz Sousa é um dos agraciados com o 46º Troféu Sereia de Ouro. A escritora Angela Maria Rossas Mota de Gutiérrez, o desembargador Teodoro Silva Santos e o cineasta Karim Aïnouz também recebem a comenda, na próxima sexta-feira

Há 40 anos se dedicando à medicina, Anastácio de Queiroz Sousa afirma ser possível aprender não apenas com a enfermidade de um paciente, mas também com a vida dos outros. O infectologista repassa o que aprendeu – dentro e fora dos hospitais – para os seus alunos, na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Em 1976, Anastácio de Queiroz formou-se em Medicina pela UFC, em uma época onde não tinha o básico para fazer alguns procedimentos e a parte prática era mais curta, cabendo aos estágios extracurriculares a função de aprender a prática médica propriamente dita. ”Foi muito trabalho durante a faculdade, além do estudo. A vida era dedicada ao estudo, ao trabalho e aos estágios”, relembra o médico. Ele entrou como estagiário no Hospital São José de Doenças Infecciosas, depois virou interno, bolsista, até chegar à chefia dos internos.

Em sua rotina, não havia muito espaço para o sono. Anastácio também teve importante atuação no Hospital das Clínicas e no Instituto José Frota (IJF). “O IJF era um hospital pequeno, naquela época era difícil até fazer as suturas. Foi um momento muito difícil, as condições de atendimento eram bem mais precárias”, relembra.

Profissionalização
Anastácio optou pela residência em Clínica Médica e formou-se aos 28 anos. Começou a lecionar na UFC, sem deixar de realizar seus atendimentos tanto no Hospital São José quanto no São Raimundo. Não demorou muito para ter a oportunidade de estudar nos EUA, onde se especializou em Medicina Tropical pela Universidade de Virginia, em Charlottesville (1983), e em Doenças Infecciosas pela Universidade de Miami (1984).

“Cheguei nos EUA em junho de 1982, no momento em que se usou pela primeira vez a palavra AIDS. Era uma imunodeficiência adquirida e naquele momento não se sabia a causa, sabia que era uma síndrome porque todos os indivíduos tinham aquela deficiência imunológica e era a maneira de poder fazer o diagnóstico. Eu sou de uma época em que eu vi praticamente todas essas últimas doenças infecciosas surgirem, a AIDS e muitas outras que hoje estão bem caracterizadas”, conta.

Depois de voltar ao Brasil, Anastácio retomou as aulas na Faculdade de Medicina da UFC e a atuação no Hospital São José. Foi convidado para ser médico do Instituto Penal Paulo Sarasate, onde atendeu presos políticos.

Gestão
Em 1986, Anastácio foi convidado para dirigir o Hospital São José, cargo que desempenhou até 1994, e depois assumiu a Secretaria da Saúde do Estado. A transição da sala de aula e dos plantões para os cargos administrativos foi difícil, mas sua dedicação aos projetos que encara fez com que essa nova fase rendesse bons frutos.

Como secretário, Anastácio dispôs de uma equipe qualificada e recebeu carta branca para atuar da forma que achasse necessário, sempre em diálogo com o então governador.

O médico lembra a atuação junto aos municípios do Estado que gerou um maior diálogo com os prefeitos para melhorar o sistema de saúde, reduzir a mortalidade infantil, incentivar amamentação e o pré-natal e qualificar os profissionais.

“Conseguimos organizar administrativamente a secretaria, que melhorou bastante nesses oito anos. Reformamos todos os hospitais e todos os diretores foram escolhidos a partir de critérios técnicos. Tínhamos a Escola de Saúde Pública, que ainda existe hoje, e tentamos fazer com que ela cumprisse o seu real papel de treinamento. A questão da criança foi priorizada, expandimos as equipes de saúde da família e os agentes de saúde. Tivemos oportunidade de municipalizar todas as cidades, que foram ligadas diretamente à secretaria”, pontua.

Também foi um período marcado pelo intercâmbio internacional que trouxe ao Estado capacitação e melhorias. “Tivemos cooperação com o Reino Unido, com o Japão e com o governo americano que permitiram que pessoas fossem treinadas”, observa.

Com os japoneses, nossa cooperação foi no sentido de melhorar a assistência obstétrica. Com o Reino Unido era de organizar melhor o sistema de saúde e com os americanos era a questão da mulher. Também nos aproximamos de Cuba com a questão da saúde da família e com a Holanda para desenvolver a Escola de Saúde Pública”.

Com uma vasta produção científica, prêmios e títulos, como o de Pessoa de Notório Saber no Setor de Estudos de Infectologia pela Universidade Estadual do Ceará em 2000, o médico foi homenageado na Galeria dos Presidentes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS). Em 2009, o médico finalizou o Doutorado em Farmacologia pela UFC.

Aprendizado
Para o médico, receber o Prêmio Sereia de Ouro é uma honra e um estímulo para continuar desempenhando seu trabalho com sensibilidade.

“É muito importante fazer uma reflexão sobre o que você faz quando se tem um reconhecimento assim, mas isso também coloca sobre você uma obrigação de continuar trabalhando na mesma direção”, declara o médico.



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